A concepção do projeto Angola Poa nasce da constatação da carência de pesquisas sobre a capoeira em Porto Alegre (e no Rio Grande do Sul), especialmente no que diz respeito à capoeira angola. Como demonstra a realização deste projeto, Porto Alegre conta com a presença ativa de uma pluralidade de grupos de capoeira angola, os quais desenvolvem regularmente atividades de grande relevância política e cultural para a cidade. Chama assim a atenção o fato de esta ser uma expressão cultural ainda pouco conhecida pela população porto-alegrense, alheia aos meios de comunicação e sobre a qual há muito poucas pesquisas divulgadas. Nosso objetivo compreende a realização de uma cartografia dos grupos que constituem a cena atual da capoeira angola em Porto Alegre, procurando abranger o máximo possível a diversidade de linhagens e grupos existentes na cidade, tendo como produto uma série de registros audiovisuais realizados a partir dos depoimentos dos mestres e lideranças desta arte. Constituem, assim, o universo desta pesquisa os grupos autodenominados praticantes de capoeira angola com sede no município de Porto Alegre, com trabalhos consolidados nesta arte e como tal reconhecidos pela comunidade angoleira. Dessa forma, buscamos também contribuir para a visibilidade da capoeira angola praticada na capital gaúcha através da disponibilização do material produzido na internet.  

 

        Ao longo dos anos de 2013 e 2014 foram realizadas conversas e entrevistas com as referências de cada grupo, a fim de registrar a memória e os depoimentos destes sobre a capoeira angola. Não buscamos, assim, reconstituir a história desta arte em solo porto-alegrense, o que demandaria um esforço que ultrapassa os limites deste projeto. Há muitos grupos, mestres e lideranças da capoeira praticada atualmente no estado do Rio Grande do Sul que tiveram papel fundamental no desenvolvimento desta arte na capital, especialmente nas cidades que compõem a região metropolitana. Da mesma forma, existem muitos capoeiristas porto-alegrenses que desenvolveram trabalhos significativos com a capoeira angola na cidade e que encontram-se hoje radicados em outros estados e no exterior ou ainda desvinculados de grupos de capoeira. Vários destes foram lembrados em diversos momentos pelos entrevistados e consideramos que a consulta aos mesmos seria indispensável para uma pesquisa que tivesse a pretensão de narrar a história desta manifestação cultural em Porto Alegre. Compreendemos, entretanto, que a realização do Angola Poa constitui um passo importante para reconstituir a memória e a história desta arte ancestral no sul do Brasil, bem como uma significativa contribuição para a própria história da cidade de Porto Alegre e da diversidade cultural que a constitui, fornecendo ainda subsídios para a luta contra a invisibilização das culturas de matriz africana na região.

 

        A primeira etapa da pesquisa, realizada ao longo do primeiro semestre de 2013, consistiu em um mapeamento preliminar dos grupos e lideranças da capoeira angola em atividade na cidade de Porto Alegre. A seguir, realizamos os primeiros contatos com os grupos para apresentar o projeto e agendar as entrevistas. Foram realizadas um total de 11 (onze) entrevistas com objetivo de serem reunidas e disponibilizadas na rede, retornando para os grupos e à comunidade angoleira e porto-alegrense de forma geral o material produzido. Escolhemos privilegiar a criatividade e originalidade dos entrevistados em busca de uma singularidade própria a cada vídeo realizado, a partir da memória e do exercício da oralidade dos entrevistados. O resultado é um mosaico de depoimentos biográficos, filosofias de vida, relatos de situações vividas e articulações históricas associadas à prática da capoeira angola em Porto Alegre desde o início da década de 1970.

 

 

Agradecemos ao Fumproarte e à Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre por possibilitar a realização deste projeto, através da Bolsa Décio Freiras. Agradecemos profundamente aos mestres e capoeiristas entrevistados para a realização deste projeto, por dedicarem o seu tempo e compartilharem o seu conhecimento e especialmente pelo carinho e apoio com que acolheram esta iniciativa. Nosso muito obrigado a Mestre Churrasco, Mestre Ratinho, Mestre Jaburu, Mestre Paulo de Jesus, Mestre Renato Capoeira, Mestre Baptista, Mestre Ivonei, Contramestre Guto, Professor Renatinho, Professor Jauri, Professor Jean Sarará e Professor Vermelho. A capoeira é uma arte ancestral e coletiva. Fica aqui também o nosso agradecimento a todos os capoeiristas que de alguma forma contribuíram para que esta se mantenha viva e atuante. A realização deste projeto, desde a sua concepção, não seria também possível sem o apoio e colaboração do nosso mestre nesta arte, o Contrameste Guto, a quem agradecemos ainda pelos conhecimentos compartilhados nos últimos anos.

Financiamento:

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